O Valor da Biodiversidade


A biodiversidade (diversidade biológica) é a variabilidade existente entre os seres vivos, ou entre os
complexos ecológicos dos quais estes fazem parte. A biodiversidade inclui a diversidade dentro 
da mesma espécie, a diversidade entre as espécies e a diversidade de ecossistemas. E pode ser 
descrita quantitativamente em termos de riqueza, raridade ou unicidade. 

Quando se fala em Biodiversidade, considera-se que esta tem valor. Mas qual o valor da
biodiversidade? 

Pode procurar-se atribuir à biodiversidade um valor económico, embora a atribuição deste não seja
fácil nem simples. A própria definição de Biodiversidade é complexa e, muitas vezes, não
correctamente compreendida pela maioria das pessoas. Isto leva a que seja difícil fazerem-se
julgamentos de valor bem-informados. 

Estudos mostram que a maioria das pessoas não conhece ou não compreende correctamente o
termo Biodiversidade. Ainda assim, muitos são os que concordam com a necessidade de se proteger
a vida selvagem, por exemplo. Mas o que é que isto significa? Devemos proteger algumas espécies?
Talvez as que se encontrem “em vias de extinção”, ou as que nos parecem mais apelativas, ou....?
Como fazer esta escolha? E será que devemos fazer uma qualquer escolha? Ou terá toda a
biodiversidade valor?

Há o valor de cada ser por si mesmo, independentemente do valor ou utilidade que este possa ter
para outros seres como o ser humano. A este valor se dá o nome de Valor Intrínseco.

Além do imenso valor intrínseco da biodiversidade, ela tem também grande valor pelo seu papel no
funcionamento dos ecossistemas. Os ecossistemas são muito complexos, e o seu funcionamento
ainda não é totalmente compreendido pelo ser humano, mas não será dificil compreender que este
depende da biodiversidade, e que um ecossistema mais biodiverso tende a ser um ecossistema mais
saudável e resiliente.

O funcionamento dos ecossistemas, permite a existência de Vida no planeta Terra. É através do seu
funcionamento que os seres vivos obtêm tudo o que necessitam. 

Ao que se obtém dos ecossistemas veio a chamar-se Serviços de Ecossistema. O conceito de “serviços
de ecossistema” foi criado para tornar mais facilmente compreensível algo que ocorreu desde sempre,
e do qual estamos absolutamente dependentes, mas que muitas vezes não é devidamente valorizado
ou compreendido. Serviços de ecossistema são, assim, os serviços que a natureza torna possíveis e
dos quais também o ser humano beneficia. 

Para melhor compreensão e organização, aceitou-se considerar que os Serviços de Ecossistema se
dividem em quatro grandes grupos:
- Serviços de Produção - Produtos gerados pelo ecossistema, tais como: a produção de alimento, água
potável, produtos lenhosos, fibras, combustíveis, recursos medicinais, etc;
- Serviços de Regulação - Benefícios que são obtidos pelas funções de regulação dos processos dos
ecossistemas, tais como: a regulação do clima e da qualidade do ar, sequestro e armazenamento de
carbono, a moderação de eventos extremos, o controlo de doenças e pragas, purificação da água,
prevenção da erosão e manutenção da fertilidade dos solos, polinização, etc;
- Serviços Culturais - Benefícios não-materiais que se obtém dos ecossistemas, tais como: apreciação da
paisagem, turismo, inspiração, saúde física e mental, herança cultural, espiritual e religiosa, sentido de
lugar, etc;
- Serviços de Suporte ou Habitat - Serviços que são necessários para a produção de todos os outros
serviços de ecossistema, tais como: a formação do solo, os ciclos dos nutrientes, a produção primária,
habitats para as espécies, a manutenção da diversidade genética, etc.

Da biodiversidade estão dependentes a vasta maioria dos serviços de ecossistema, e a própria existência
das sociedades humanas, uma vez que estes serviços de ecossistema foram os “blocos de construção”
da sociedade moderna. Tudo o que tornou possível a sua existência foi fornecido pela natureza, e
continuaremos a precisar dos recursos naturais para tudo na nossa vida e até mesmo para a nossa
sobrevivência.

Devemos ainda lembrar-nos que toda a actividade económica depende dos serviços prestados pela
natureza. Esta é, por isso, parte integrante da própria riqueza das nações.

Os “serviços de ecossistema” não representam apenas os serviços que estes podem prestar ao ser
humano, mas também os serviços prestados a todos os seres, e por isso à própria Vida.

Mais do que o seu valor para consumo directo ou indirecto por parte do Ser Humano, ou de outros seres,
e para além do seu importante Valor Intrínseco, a biodiversidade permite aos ecossistemas mais opções
de resposta aos múltiplos factores de alteração a que estes se encontram sujeitos. 

Estas opções de resposta são fundamentais, representando as possibilidades de resiliência que os
ecossistemas têm, quer a desequilibrios na proporção de seres que deles fazem parte (p. ex., pragas,
espécies invasoras, sobreexploração, etc), quer a alterações químicas ou físicas introduzidas (p. ex.,
poluição, pesticidas, mobilização do solo, etc), bem como a alterações de larga escala e/ou a longo
prazo (p. ex., alterações climáticas, extinção de espécies, etc), entre outras.

A variabilidade genética, características próprias e outros factores de adaptação, dão a cada ser uma
capacidade diferente de resposta a qualquer uma daquelas alterações, variando assim a sua capacidade
de sobrevivência e de resposta adaptativa. É por isso natural que quanto maior for a biodiversidade
existente no ecossistema, maiores serão as probabilidades de esse ecossistema ter capacidade  de
resiliência a uma determinada alteração ou a um conjunto simultâneo de alterações.

Assim, mais do que valorizavel, a biodiversidade revela-se absolutamente essencial. A diversidade
existente e, por consequência, a diversidade de possibilidades de resposta, podem, por exemplo,
impedir o colapso de todo o ecossistema.

É, por isso, essencial a compreensão do real valor da biodiversidade para a existência de Vida no
planeta Terra. O único em que conhecemos a sua existência...

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHRISTIE, M. et al. (2006) - Analysis: Valuing the diversity of biodiversity, Ecological Economics, 58, 304–317

MILLENNIUM ECOSYSTEM ASSESSMENT (2005) - Ecosystems and Human Well-being: Biodiversity Synthesis. World Resources Institute,
Washington, D. C.

PINHO, P. et al. (2017) - Biodiversity as support for ecosystem services and human wellbeing. The urban forest (ed. By D. Pearlmutter et al.),
67-78. Future City

TEEB (2008) - The Economics of Ecosystems and Biodiversity. An Interim Report. European Communities.

WWF (2018) - Living Planet Report - 2018: Aiming Higher. Grooten, M. and Almond, R. E. A. (Eds). WWF, Gland, Switzerland

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Foto de: Rui Silvestre on Unsplash (São Miguel, Açores)

Comentários

  1. Carla, gostei muito do seu texto, compreensivo na sua abrangência às sub-temáticas da biodiversidade. É impressionante como - passadas quase 4 décadas desde a conferência do Rio - a grande generalidade dos governos, gestores, decisores continuam a não sentir a urgência da conservação da natureza/biodiversidade ... , de que fazemos parte integrante, e da qual necessariamente dependemos agora e futuramente.
    Continuação de boas leituras, Paula Nicolau

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