Plástico ou Papel? Ameaças à Biodiversidade
Recentemente, temos vindo a tomar consciência dos impactos ambientais dos plásticos nos oceanos e em toda a vida
marinha. Talvez porque ao flutuarem na água, juntando-se em grandes “ilhas”, ou enchendo areais mesmo em zonas remotas
do planeta, nos seja mais fácil começarmos a ter percepção de que pequenos gestos imponderados do dia-a-dia, têm enormes
impactos nas praias e oceanos, pelos quais temos um gosto particular.
marinha. Talvez porque ao flutuarem na água, juntando-se em grandes “ilhas”, ou enchendo areais mesmo em zonas remotas
do planeta, nos seja mais fácil começarmos a ter percepção de que pequenos gestos imponderados do dia-a-dia, têm enormes
impactos nas praias e oceanos, pelos quais temos um gosto particular.
E se a consciência do problema do plástico nas praias e oceanos ainda é insuficiente, e as ações para mudar esta realidade
ainda poucas, menos consciência temos dos impactos do plástico em terra firme. Os impactos sobre a biodiversidade serão
provavelmente semelhantes. Também os animais terrestres ingerem os plásticos, também eles ficam presos em estranhas
armadilhas de plástico descartável. Também os solos terrestres, tal como a água ficam contaminados.
ainda poucas, menos consciência temos dos impactos do plástico em terra firme. Os impactos sobre a biodiversidade serão
provavelmente semelhantes. Também os animais terrestres ingerem os plásticos, também eles ficam presos em estranhas
armadilhas de plástico descartável. Também os solos terrestres, tal como a água ficam contaminados.
Não será difícil imaginar que durante muitos anos os plásticos surgirão na coluna litostratigráfica como que “fósseis” dos
tempos “modernos”. Em que se converterão depois de passados os muitos anos que prevemos para a sua
“decomposição”? Na verdade não sabemos bem…
tempos “modernos”. Em que se converterão depois de passados os muitos anos que prevemos para a sua
“decomposição”? Na verdade não sabemos bem…
É fácil perceber que as técnicas atuais de embalagens e produtos plásticos descartáveis estão a ter impactos severos
nos ecossistemas e que temos, por isso, de encontrar soluções alternativas. Atualmente, a solução mais proposta é
a substituição das embalagens e produtos de plástico, por embalagens e produtos em papel.
nos ecossistemas e que temos, por isso, de encontrar soluções alternativas. Atualmente, a solução mais proposta é
a substituição das embalagens e produtos de plástico, por embalagens e produtos em papel.
O papel, ao contrário do plástico, é biodegradável em relativamente pouco tempo. Infelizmente, muito do papel utilizado
encontra-se impresso com todo o tipo de tintas e vernizes especiais, que tornando os produtos mais apetecíveis e
incitando o consumo, por obra do marketing, simultaneamente tornam a sua real biodegradabilidade e reduzido impacto,
altamente duvidosos.
encontra-se impresso com todo o tipo de tintas e vernizes especiais, que tornando os produtos mais apetecíveis e
incitando o consumo, por obra do marketing, simultaneamente tornam a sua real biodegradabilidade e reduzido impacto,
altamente duvidosos.
Devemos lembrar também que o papel não aparece miraculosamente nas prateleiras das lojas e hipermercados. Ele
tem uma origem, e essa origem é também ela repleta de impactos ambientais.
tem uma origem, e essa origem é também ela repleta de impactos ambientais.
Podemos usar papel reciclado? Podemos e devemos. Mas ao contrário de outros materiais, como o vidro ou o alumínio,
o papel não mantém as suas características originais após a reciclagem. A cada ciclo de reciclagem, as fibras do papel
ficam mais curtas, e o papel perde por isso a sua consistência e resistência. Também os já referidos contaminantes
(tintas, etc) exigem processos complexos de remoção, que apesar de nunca ser completa, trazem mais uma vez aos
ecossistemas uma série de subprodutos da reciclagem que atuam como contaminantes.
o papel não mantém as suas características originais após a reciclagem. A cada ciclo de reciclagem, as fibras do papel
ficam mais curtas, e o papel perde por isso a sua consistência e resistência. Também os já referidos contaminantes
(tintas, etc) exigem processos complexos de remoção, que apesar de nunca ser completa, trazem mais uma vez aos
ecossistemas uma série de subprodutos da reciclagem que atuam como contaminantes.
Na verdade, o papel só pode ser reciclado até cerca de 5 vezes, perdendo resistência cada vez que passa pelo
processo de reciclagem. A sua última utilização poderá ser talvez a de papel suave, o conhecido papel tissue,
do papel higiénico.
processo de reciclagem. A sua última utilização poderá ser talvez a de papel suave, o conhecido papel tissue,
do papel higiénico.
Também o transporte dos materiais para reciclagem, e de novo para os fabricantes e para as lojas tem, como no
caso do plástico, um forte consumo energético e impacto ambiental.
caso do plástico, um forte consumo energético e impacto ambiental.
E o papel virgem? Aquele que não vem dos processos de reciclagem mas sim da polpa de madeira? Quais os
impactes?
impactes?
Sabemos que a fileira do papel utiliza árvores como o eucalipto para obtenção da pasta de papel. Sabemos também
que em grande parte de Portugal continental as matas são constituídas quase exclusivamente por eucalipto, a par
da acácia, e de algum pinheiro, já em número reduzido por acção do nemátodo do pinheiro.
que em grande parte de Portugal continental as matas são constituídas quase exclusivamente por eucalipto, a par
da acácia, e de algum pinheiro, já em número reduzido por acção do nemátodo do pinheiro.
Os impactos diretos na biodiversidade são enormes. Os métodos mais recentes de plantação de eucalipto, com
uso de maquinaria pesada, a par do pouco espaçamento e aplicação de herbicidas e fertilizantes em quantidades
massivas, levam à destruição quase total da biodiversidade que aí poderia existir, bem como do solo, e à
contaminação dos cursos de águas por lixiviação dos referidos herbicidas, fertilizantes e solo.
uso de maquinaria pesada, a par do pouco espaçamento e aplicação de herbicidas e fertilizantes em quantidades
massivas, levam à destruição quase total da biodiversidade que aí poderia existir, bem como do solo, e à
contaminação dos cursos de águas por lixiviação dos referidos herbicidas, fertilizantes e solo.
Aumentar o uso do papel irá levar a que aumente também grandemente a área florestal transformada em eucaliptal
e sujeita a estas práticas, e à consequente perda de biodiversidade.
e sujeita a estas práticas, e à consequente perda de biodiversidade.
Além destes impactos, o eucalipto tem também um forte impacto sobre os recursos hídricos, devido à sua enorme
taxa de evapotranspiração, e raízes profundas, muitas são as nascentes que secaram por completo devido aos eucaliptais.
taxa de evapotranspiração, e raízes profundas, muitas são as nascentes que secaram por completo devido aos eucaliptais.
Um outro impacto de enorme importância, é o seu efeito nos fogos florestais. Matas densas de eucalipto ardem e propagam o
fogo com uma velocidade muito superior ao que aconteceria nas nossas florestas nativas biodiversas. Tal deve-se a diversos
fatores. O eucaliptal proporciona um ambiente florestal mais seco e mais quente, repleto de compostos combustíveis, que
ardem com uma temperatura superior à de outras madeiras, gerando por si só fenómenos climáticos associados ao fogo;
propagam o fogo através de projecções de folhas que pelo seu formato e composição se deslocam a grandes distâncias
ainda incandescentes. Também a estrutura da mata, com árvores plantadas na mesma data, e portanto com idades e porte
idêntico, leva a que a propagação do fogo se faça por vezes através de “fogo de copas”, independentemente da tão falada
“limpeza” das matas (limpeza esta também ela repleta de problemas).
fogo com uma velocidade muito superior ao que aconteceria nas nossas florestas nativas biodiversas. Tal deve-se a diversos
fatores. O eucaliptal proporciona um ambiente florestal mais seco e mais quente, repleto de compostos combustíveis, que
ardem com uma temperatura superior à de outras madeiras, gerando por si só fenómenos climáticos associados ao fogo;
propagam o fogo através de projecções de folhas que pelo seu formato e composição se deslocam a grandes distâncias
ainda incandescentes. Também a estrutura da mata, com árvores plantadas na mesma data, e portanto com idades e porte
idêntico, leva a que a propagação do fogo se faça por vezes através de “fogo de copas”, independentemente da tão falada
“limpeza” das matas (limpeza esta também ela repleta de problemas).
Os fogos florestais têm vindo a assumir enormes dimensões fruto das alterações climáticas e desta composição florestal.
Os impactes do fogo são enormes, levando à destruição da biodiversidade em extensas áreas do território português.
Os impactes do fogo são enormes, levando à destruição da biodiversidade em extensas áreas do território português.
O eucalipto e a acácia beneficiam destes fogos, aumentando grandemente o seu comportamento de invasora logo após a
passagem do fogo. As matas tornam-se assim ainda menos biodiversas e mais vulneráveis.
passagem do fogo. As matas tornam-se assim ainda menos biodiversas e mais vulneráveis.
E quanto do papel consumido num país, é importado de outros países? Portugal importa muitas vezes papel com origem
nas florestas dos países nórdicos. Qual o impacte do abate dessas florestas? Qual o impacte do transporte de papel, que
é um material pesado, ao longo de centenas ou milhares de quilómetros, seja entre a floresta e a fábrica de polpa de papel,
esta e a fábrica de papel, e entre esta e as gráficas onde ele é impresso, a distribuição, comércio, consumo, descarte,
reciclagem ou aterro?
nas florestas dos países nórdicos. Qual o impacte do abate dessas florestas? Qual o impacte do transporte de papel, que
é um material pesado, ao longo de centenas ou milhares de quilómetros, seja entre a floresta e a fábrica de polpa de papel,
esta e a fábrica de papel, e entre esta e as gráficas onde ele é impresso, a distribuição, comércio, consumo, descarte,
reciclagem ou aterro?
E as Celuloses e Fábricas de Papel? Qual o impacte que os processos desenvolvidos nestas indústrias têm nos ecossistemas?
Será que ainda nos lembramos da tão visível contaminação do rio Tejo pelas indústrias papeleiras, num momento em que o seu
caudal era reduzido devido à seca, provocando a morte de milhares de peixes? E será que ainda nos lembramos da forma vil
como estas indústrias tentaram isentar-se da responsabilidade pelos danos ambientais provocados?
Será que ainda nos lembramos da tão visível contaminação do rio Tejo pelas indústrias papeleiras, num momento em que o seu
caudal era reduzido devido à seca, provocando a morte de milhares de peixes? E será que ainda nos lembramos da forma vil
como estas indústrias tentaram isentar-se da responsabilidade pelos danos ambientais provocados?
Depois da ponderação de todos estes factores, será que o papel é o melhor substituto para as embalagens de plástico
descartáveis? Que impactes terá a nível da biodiversidade e da poluição gerada, em toda a sua cadeia de produção, utilização e
descarte?
descartáveis? Que impactes terá a nível da biodiversidade e da poluição gerada, em toda a sua cadeia de produção, utilização e
descarte?
Não seria melhor a utilização de embalagens reutilizáveis, e realmente recicláveis, de vidro ou metal?
Convido-vos a refletir sobre isto…
Referências Bibliográficas
Lipor (n.d.). How many times can the paper be recycled?. Disponível em https://www.lipor.pt/en/lipor-quiz/how-many-times-can-the-paper-be-recycled/ . [Consult. a 21 Fev. 2020]
Observador (2018). Poluição no Tejo. Fábrica de pasta obrigada a reduzir laboração para travar descargas. Disponível em https://observador.pt/2018/01/26/poluicao-no-tejo-fabrica-de-pasta-e-papel-obrigada-a-reduzir-laboracao-para-travar-descargas/ . [Consult. a 21 Fev. 2020]
Recyclebank (2017). Does my ink affect paper recycling? . Disponível em https://livegreen.recyclebank.com/column/because-you-asked/does-my-ink-affect-paper-recycling . [Consult. a 21 Fev. 2020]
Vechi, A. e Magalhães Júnior, C. (2018). Aspectos positivos e negativos da cultura do eucalipto e os efeitos ambientais do seu cultivo. Revista Valore. 3. 495-507. 10.22408/reva312018101495-507.
Venelampi, O. et al. (2013). The Biodegradation and Disintegration of Paper Products in the Composting Environment. Compost Science & Utilization. 11. 200-209. 10.1080/1065657X.2003.10702128.
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